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25 de setembro de 2017

Não parece amor, não nos olhamos e nos conectamos da primeira vez que nos vimos. Não nos conhecemos enquanto esbarrávamos um no outro na balada. E ele não quis me pagar um drink quando por acaso conversamos naquele bar, afim de interesses posteriores.

E eu não senti algo diferente quando nos vimos pela quarta vez, nem quis beija-lo ou tocar suas mãos na décima vez que nos encontramos. Costumo falar que as coisas entre a gente foram gradativas, sem beijos apaixonados logo de cara, sem olhares fugazes daqueles que costumam nos ler por dentro.

Sem nenhum sentimento exacerbado que se cria no primeiro encontro.

E apesar da forma como iniciamos, acredito que aqueles amores que costumam se encher demais no começo acabam por se expelirem rápido demais também. O cara do bar, com certeza não é o cara dos meus sonhos, não corresponde nenhuma das minhas tolas idealizações de “homem perfeito”, e ele de fato não faz esforço nenhum para isso.

O que o faz alguém muito mais especial do que se quisesse me impressionar e por fim mudar sua essência por alguém tão humano quanto ele. Mas quer saber? Com o tempo a gente aprende que não existe ninguém perfeito para o seu quebra-cabeça chamado vida.

Quanto mais eu conheço o moço do bar, mais percebo o quanto ele está distante do que idealizei a vida inteira. Mas tudo bem, ele não precisa ser quem eu quero, muito menos quem ele não é.  E em meio a toda essa contradição os fins de tardes no domingo, com música calma, dedos entrelaçados, luz ambiente e calmaria começam a acontecer de forma natural e leve.

Até esse dia eu continuava a pegar ônibus de mal humor nas segundas-feiras, não pensava em me arrumar um pouquinho mais para o caso de nos esbarrássemos e muito menos ficava esperando por mensagens dele.

Costumo dizer para os meus amigos que me permitir no que temos hoje, foi um devaneio enquanto a vida tomava o controle de tudo. Não foi amor, não é amor, e eu espero que a gente só se der conta disso em um futuro do qual ambos tenham força suficiente para abraçar o propósito.

Foi diferente, foi mais que amor, foi olhar na mesma direção, foi ouvir e falar sobre trabalho e coisas chatas que a maioria das pessoas costumam ignorar nos primeiros encontros. Mas foi apenas isso.

Ele com certeza não tinha “nada haver” comigo. Mas de fato isso foi o que me atraiu, estava cansada de amores rasos. No entanto, a nossa contradição começava a aparecer nas noites sem sono, nas músicas que me apresentava, no cheiro de casa limpa.

E o fato de não romantizarmos o amor, não nos faz imperfeitos um para o outro. Posso estar sendo redundante, mas nos acostumamos com paixões intensas, amores a primeira vista e todos aqueles sentimentos que hora ou outra acabam.

O amor passou de escolha, a um sentimento frágil, do qual  a gente assiste nos filmes e se concretiza na literatura romanesca. Nos esbarramos trilhões de vezes até por fim permitir que o que ainda não é amor, talvez se torne.

Não teve nada de especial, não foi romântico nem intenso, mas foi completamente honesto.

O “romance” que eu achei ser apenas um encontro, tornou-se a cada dia mais consolidado em nós.  Eu não precisava sentir aquela saudade louca, não precisava olhar o celular a cada cinco minutos a espera de um “boa noite”. Não precisava tornar o que tínhamos de bom em um amor doente. Até porque os momentos juntos eram uma carga tão positiva que supria qualquer migalha que eu mesmo poderia me submeter.

Um dia desses, o moço do bar me perguntou se dois corações poderiam ter a mesma batida, na hora confesso não ter muito o que responder.  Mas hoje digo, podemos ser a maior contradição, eu com meu coração jovem optar por sair e fazer programas não muito agradáveis, e ele com um coração experiente preferir um fim de tarde ao pôr do sol.

No entanto isso só me conclui que dois corações podem não bater de forma igual. Mas é completamente possível estar no mesmo ritmo. Isso se chama harmonia.

Gostou da crônica de hoje? Compartilha com os amigos e deixa seu comentário! Confira mais palavras lindas da May Mariano aqui no blog! Até o próximo post! 🙂

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    1. Hanna Carolina, 28 de setembro de 2017

      Wow! Que texto sensacional! Realmente esse lance de romantizar o amor,criar expectativas… só nos faz sofrer… qd tudo entra em harmonia, tudo flui bem.
      Bjks!
      http://mundinhodahanna.blogspot.com

      • May Mariano, 12 de outubro de 2017

        Sim Hanna, por fim só nos resta ser realista. Tudo flui melhor.